Capacidade funcional, função muscular, função pulmonar e qualidade de vida em homens com síndrome pós-covid-19
Palavras-chave:
COVID-19, Capacidade Funcional, Força Muscular Respiratória, Força Muscular Periférica, Qualidade de Vida, ReabilitaçãoResumo
Introdução: Atualmente há um grande número de pacientes com síndrome pós-COVID (SPC) que devem ser acompanhados para que se possa identificar e tratar um número muito grande de complicações. O comprometimento respiratório é o mais comum nesses pacientes, porém, outros comprometimentos podem ser observados, acarretando importantes distúrbios cadiopulmonares, musculoesqueléticos e psíquicos. Como consequência, há fraqueza muscular, dispneia, depressão e/ou ansiedade, perda de peso significativa e sequelas cardiovasculares. De fato, as limitações musculoesqueléticas e cardiopulmonares são responsáveis por várias queixas pós-COVID, impactando negativamente na capacidade funcional na SPC. O comprometimento funcional pós-COVID-19 pode prejudicar a capacidade de realizar as atividades de vida diária (AVD) e a funcionalidade, alterar o desempenho profissional e dificultar a interação social. Nas últimas décadas, o teste de AVD-Glittre (TGlittre) foi proposto para avaliar as AVD essenciais em pacientes com inúmeras doenças respiratórias e não-respiratórias. Muitos sobreviventes da COVID-19, especialmente aqueles que foram hospitalizados, têm sofrido inúmeras complicações que limitam as suas AVD, embora as mudanças que persistem 3 anos após a infeção ainda não sejam conhecidas. Objetivo: O objetivo desse estudo foi investigar o impacto da COVID-19 no longo prazo usando o TGlittre 3 anos após a infeção aguda em homens que precisaram de hospitalização, sem a necessidade de terapia intensiva e explorar se o desempenho no TGlittre está associado a deficiências na função pulmonar, força muscular, função física e qualidade de vida (QV). Métodos: Trata-se de um estudo transversal com 42 homens com COVID longa que realizaram o TGlittre. Eles foram submetidos aos testes de função pulmonar e às medições da força de preensão manual e força do quadriceps (FS). Além disso, também preencheram o Questionário Respiratório de Saint George (SGRQ) e a Medida de Independência Funcional (MIF). Resultados: A média de idade foi de 52 ± 10,6 anos, enquanto o tempo médio após o diagnóstico de COVID-19 foi de 37 ± 3,5 meses. A mediana do tempo do TGlittre foi de 3,3 (3,1-4,1) min, que foi 10% maior do que o tempo esperado para ser completado por indivíduos normais. O tempo de TGlittre correlacionou significativamente com QS (rs = -0,397, p = 0,009), difusão pulmonar (rs = -0,364, p = 0,017), MIF (rs = -0,364, p = 0,017) e pontuação do domínio "atividade" do SGRQ (rs = 0,327, p = 0,034). Conclusão: Como conclusões, esse trabalho mostra que a capacidade funcional ao esforço, medida pelo tempo TGlittre, é normal na maioria dos homens com COVID-19 de longa duração, 3 anos após a hospitalização. Seria uma limitação do estudo a ausência do tempo de reabilitação ou se houve tratamento ambulatorial após alta, o que poderia interferir nos resultados. No entanto, esta melhora da capacidade funcional não parece refletir na força muscular e na QV, exigindo uma monitorização contínua mesmo após 3 anos
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