Comprometimento funcional e qualidade de vida na doença pulmonar pós-tuberculose: Um estudo transversal comparando sobreviventes de tuberculose e suscetíveis aos medicamentos
Palavras-chave:
doença pulmonar pós-tuberculose, tuberculose multirresistente, capacidade funcional, qualidade de vida, força muscular respiratóriaResumo
Introdução: A doença pulmonar pós-tuberculose (DPPT) representa uma causa significativa de morbidade respiratória crônica em todo o mundo. No entanto, o impacto comparativo da tuberculose multirresistente (TB-MDR), em relação à forma sensível aos medicamentos, sobre os desfechos funcionais a longo prazo permanece insuficientemente explorado na literatura. Objetivo: Avaliar e comparar as limitações funcionais, a força muscular respiratória, o desempenho físico e a qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) entre sobreviventes de TB-MDR e tuberculose típica. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal com 58 adultos que concluíram o tratamento para tuberculose nos últimos dois anos, recrutados em clínicas da família e unidades básicas de saúde no Rio de Janeiro, Brasil. Os participantes foram submetidos à espirometria, avaliação da força muscular respiratória (pressão inspiratória máxima e S-Index), teste de força de preensão manual, teste de sentar e levantar em 1 minuto e avaliação da qualidade de vida através do questionário de qualidade de vida da Organização Mundial da Saúde – Versão abreviada (WHOQOL-BREF) . Este projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HUPE UERJ, sob o parecer CAAE:60580022.1.0000.5235, em 25/08/2023. Resultados: Dos 58 participantes, 21 (36,2%) eram sobreviventes de TB-MDR e 37 (63,8%) eram sobreviventes de tuberculose típica. Os sobreviventes de TB-MDR apresentaram desfechos significativamente piores em todos os domínios: função pulmonar (VEF1: 1,75 ± 0,34 L vs. 2,44 ± 0,71 L, diferença com CI de 95%: -0,91 a -0,47 L, p < 0,001), força muscular respiratória ( PImáx: 51,86 ± 5,09 vs. 63,70 ± 9,21 cmH2O, p < 0,001), desempenho físico (teste de sentar e levantar em 1 minuto: 17,95 ± 3,19 vs. 24,35 ± 2,65 repetições, p < 0001) e todos os domínios de qualidade de vida (p ≤ 0,002). Um modelo preditivo robusto (R2 = 0,775) identificou a força de preensão manual e o tipo de tuberculose como os principais preditores da capacidade funcional, com intervalos de confiança precisos que sustentam sua aplicabilidade clínica. Conclusão: Os sobreviventes de TB-MDR apresentam comprometimento
funcional consideravelmente maior em comparação com sobreviventes de tuberculose sensíveis a medicamentos, com grandes efeitos nos domínios respiratório, físico e psicossocial. Esses achados ressaltam a necessidade de implementação de programas de reabilitação abrangentes, especificamente direcionados às demandas clínicas e funcionais dos indivíduos acometidos por TB-MDR.
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