Parâmetros ultrassonográficos musculares como preditores independentes de comprometimento funcional na DPOC: Validação de pontos de corte e sua correlação com a classificação com a classificação ABE
Palavras-chave:
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, Funcionalidade, Ultrassonografia, Avaliação Funcional, Função Muscular Periférica e RespiratóriaResumo
Introdução: A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição clínica caracterizada pela limitação, usualmente, progressiva do fluxo aéreo, inflamação das vias respiratórias e comprometimento da função pulmonar. Além dos danos no sistema respiratório, a DPOC apresenta diversos impactos sistêmicos, incluindo a disfunção muscular esquelética (ventilatória e periférica) o que parece resultar em uma redução significativa da capacidade funcional, aumento da dispneia e piora da qualidade de vida. Objetivos: Estabelecer e validar pontos de corte ideais para parâmetros de ultrassonografia cinesiológica na predição de limitação funcional em pacientes estáveis com DPOC e examinar seu desempenho nos estágios GOLD e classificações ABE. Métodos: Foi conduzido um estudo transversal com 124 voluntários convivendo com DPOC (idade média 61,5 ± 9,5 anos). Todos os participantes foram submetidos a uma avaliação clínica abrangente, incluindo espirometria, Teste de Caminhada de Seis Minutos (TC6M), força de preensão manual e avaliação ultrassonográfica muscular padronizada do quadríceps (espessura, área de secção transversal, índice de contratilidade) e do diafragma (fração de espessamento). A limitação funcional foi definida como TC6M < 65% do previsto. A análise da curva ROC (característica de operação do receptor) determinou os pontos de corte ideais. O desempenho foi avaliado de acordo com os estágios GOLD e classificações ABE. Resultados: Oitenta e um pacientes (65,3%) apresentaram limitação funcional. O índice de contratilidade demonstrou excelente capacidade discriminativa (AUC 0,910, IC 95%: 0,854 - 0,966), com ponto de corte ideal <34,5%, resultando em sensibilidade de 71,6% e especificidade de 100%. A área de secção transversal do quadríceps <6,85 cm² demonstrou AUC 0,864 (sensibilidade de 72,8%, especificidade de 97,7%). Todos os parâmetros musculares apresentaram declínio progressivo ao longo dos estágios GOLD (p<0,001) e fortes correlações com a capacidade funcional (r=0,68 - 0,82). Notavelmente, os parâmetros musculares periféricos e respiratórios apresentaram alta correlação (r=0,78 - 0,82), sugerindo envolvimento sistêmico. Na análise multivariada, os parâmetros musculares permaneceram preditores independentes significativos após ajuste para VEF1 (p<0,05). A análise da classificação ABE revelou deterioração muscular progressiva da classe A para a E, com a prevalência de limitação funcional aumentando de 32,1% para 81,2%. Conclusões: Os parâmetros ultrassonográficos musculares, particularmente o índice de contratilidade e a área de secção transversal do quadríceps, são excelentes preditores independentes de limitação funcional na DPOC. Os pontos de corte validados fornecem limiares clinicamente acionáveis para estratificação de risco e definição do momento ideal para intervenção. As fortes correlações entre a musculatura periférica e a respiratória corroboram abordagens terapêuticas sistêmicas em vez de localizadas. A classificação ABE adiciona informações prognósticas complementares além da classificação GOLD tradicional.
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