Fração de espessamento do diafragma como preditor do sucesso da extubação em pacientes pediáticros
Palavras-chave:
ultrassonografia, diafragma, desmame da ventilação mecânica, unidade de terapia intensiva pediátrica, insuficiência respiratóriaResumo
Objetivo: Avaliar a capacidade preditiva da fração de espessamento do diafragma (TFDI) mensurada por ultrassonografia point-of-care (POCUS) durante o teste de respiração espontânea para o sucesso da extubação em pacientes pediátricos internados em unidade de terapia intensiva.
Métodos: Estudo transversal observacional realizado em duas unidades de terapia intensiva pediátrica de um hospital municipal de referência. Foram incluídos 30 pacientes pediátricos (29 dias a 4 anos) em ventilação mecânica por insuficiência respiratória aguda, submetidos ao teste de respiração espontânea. A espessura diafragmática foi mensurada por ultrassonografia na zona de aposição durante inspiração e expiração, calculando-se a TFDI. O desfecho primário foi o sucesso da extubação, definido como ausência de necessidade de reintubação nas primeiras 48 horas após a extubação.
Resultados: A taxa de sucesso de extubação foi de 73,3% (22/30). A TFDI média no grupo sucesso foi significativamente maior que no grupo falha (47,36 ± 23,55% vs. 19,07 ± 6,80%; p = 0,001). O ponto de corte de TFDI < 25% apresentou sensibilidade de 87,5%, especificidade de 86,4%, valor preditivo positivo de 70% e valor preditivo negativo de 95% para predizer insucesso da extubação. A área sob a curva ROC foi de 0,920 (IC 95%: 0,812-1,000). Houve associação significativa entre tempo de ventilação mecânica prolongado (≥22 dias) e maior taxa de insucesso da extubação (p = 0,005).
Conclusões: A fração de espessamento do diafragma avaliada por ultrassonografia durante o teste de respiração espontânea demonstrou excelente capacidade preditiva para o sucesso da extubação em pediatria. Valores de TFDI ≥ 30% associaram-se a 100% de sucesso, enquanto valores < 25% indicaram alto risco de falha, sugerindo que esta ferramenta não invasiva pode auxiliar na tomada de decisão clínica sobre o momento adequado para extubação.
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