Barreiras para Reabilitação Após Acidente Vascular Cerebral em Adultos Jovens
Palavras-chave:
Acidente Vascular Cerebral. Barreiras, ReabilitaçãoResumo
Introdução: O acidente vascular cerebral (AVC) em adultos em idade produtiva acarreta importantes repercussões funcionais, sociais e econômicas. Embora a recuperação
funcional seja influenciada por fatores clínicos, barreiras contextuais também podem limitar o acesso e a adesão à reabilitação. Esta tese investigou o perfil funcional de adultos em idade produtiva após AVC, as barreiras percebidas para a reabilitação e o valor prognóstico dessas barreiras na recuperação funcional em curto prazo. Materiais e Métodos: A tese foi composta por dois estudos. O primeiro, de delineamento transversal, avaliou o estado funcional e sua associação com as barreiras percebidas para a reabilitação. O segundo, uma coorte prospectiva, investigou se as barreiras percebidas após a alta hospitalar prediziam a recuperação funcional após dois meses. Foram incluídos 59 adultos em idade produtiva com AVC isquêmico recrutados em clínicas de reabilitação no Nordeste do Brasil. Os participantes foram avaliados por meio da National Institutes of Health Stroke Scale (NIHSS), modified Rankin Scale (mRS), modified Barthel Index (mBI), Stroke Impact Scale (SIS) e Cardiac Rehabilitation Barriers Scale (CRBS). Resultados: Os participantes apresentaram comprometimento neurológico leve a moderado, limitações funcionais importantes, especialmente nos domínios motores, e redução da independência para as atividades de vida diária. A independência funcional apresentou correlação moderada a forte com os domínios de mobilidade e atividades de vida diária da SIS. As barreiras percebidas concentraram-se principalmente em fatores contextuais e pessoais, relacionados às necessidades percebidas e ao acesso aos serviços, com associação limitada entre os escores de barreiras e a gravidade funcional. Na análise longitudinal, observou-se melhora discreta do comprometimento neurológico, da força muscular e da percepção de necessidades de reabilitação ao longo de dois meses. Após ajuste para o estado funcional basal, maiores escores iniciais da CRBS foram associados a maiores escores de independência funcional no seguimento, embora, de forma geral, as barreiras percebidas tenham apresentado valor prognóstico limitado para a recuperação funcional em curto prazo. Conclusões: Adultos em idade produtiva após AVC apresentam limitações funcionais persistentes e enfrentam barreiras à reabilitação predominantemente relacionadas a fatores contextuais e pessoais, mais do que à gravidade clínica. Embora essas barreiras tenham demonstrado baixo valor prognóstico para a recuperação funcional em curto prazo, sua avaliação pode contribuir para a identificação de necessidades não atendidas e para o planejamento de estratégias de reabilitação individualizadas e multidisciplinares, favorecendo uma abordagem mais abrangente dos desafios enfrentados por essa população.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Categorias
Licença
Copyright (c) 2026 Paulo Cesar de Lima Andrelino Andrelino (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.