Efetividade das terapias neuromotoras intensivas para o controle postural de crianças com paralisia cerebral
Palavras-chave:
paralisia cerebral, controle postural, terapia intensiva, trajes, ensaio clínico controladoResumo
A Paralisia Cerebral (PC) é um distúrbio neuromotor que compromete gravemente o controle postural. As Terapias Neuromotoras Intensivas (TNMIs), que utilizam vestes terapêuticas, têm se mostrado uma abordagem promissora para fortalecer grupos musculares e melhorar o equilíbrio postural. Entretando, a literatura ainda carece de evidências sobre os efeitos dessas vestimentas no controle motor de crianças com PC, especialmente naquelas com comprometimento motor e funcional elevado. Objetivos: Esta tese buscou preencher essa lacuna através da investigação do efeito do protocolo de TNMIs com vestimentas terapêuticas no controle postural de crianças com PC, com instrumentos de avaliação qualitativos e quantitativos. Métodos: Constitui-se de três estudos articulados. O Estudo I consistiu no delineamento para publicação do protocolo do ensaio clínico piloto, detalhando a metodologia, os critérios de elegibilidade e as intervenções a serem testadas. O Estudo II reportou um estudo quasi-experimental, do tipo intra-sujeito, que investigou o efeito imediato do uso da veste terapêutica. O desfecho primário foi o equilíbrio postural estático durante a sedestação, quantificado por meio de parâmetros de acelerometria, que mensurou o deslocamento corporal. O Estudo III constituiu um ensaio clínico piloto que avaliou os efeitos do protocolo de TNMI em 12 crianças, de 3 a 12 anos, com GMFCS de I a V. A intervenção foi realizada utilizando as vestimentas TheraSuit e PediaSuit, durante 4 semanas, totalizando 20 sessões de 60 horas cada. Os participantes foram avaliados antes e após a intervenção. Os desfechos investigados incluíram a função motora grossa, avaliada pela escala Gross Motor Function Measure (GMFM), a força pelo Functional Sitting Assessment (FSA), equilíbrio de tronco com Scale for Assessment of Trunk Control (SatCO) e Escala de Equilíbrio Pediátrica (EEP) e o controle postural, mensurado por meio de acelerometria durante sedestação. Resultados: O Estudo II avaliou 11 crianças com paralisia cerebral, com idades entre 3 e 12 anos, sendo 10 participantes do sexo masculino e 1 do sexo feminino. Os participantes foram classificados nos níveis I (n=1), II (n=2), III (n=2), IV (n=1) e V (n=5) do Gross Motor Function Classification System (GMFCS). Os resultados demonstraram que o uso da veste terapêutica reduziu a amplitude da oscilação corporal e alterou sua frequência durante a posição sentada, indicando modificações no controle postural dessas crianças. O Estudo III avaliou 12 crianças com paralisia cerebral, com idades entre 3 e 12 anos, distribuídas em grupo controle (n=5; 4 participantes do sexo feminino e 1 do sexo masculino) e grupo intervenção (n=7; 1 participante do sexo feminino e 6 do sexo masculino). No grupo controle, os participantes foram classificados nos níveis I (n=1), II (n=1), IV (n=2) e V (n=1) do GMFCS, enquanto no grupo intervenção os participantes foram classificados nos níveis I (n=1), III (n=2) e V (n=4) do GMFCS. Os resultados mostraram melhorias clinicamente relevantes nos escores da Gross Motor Function Measure (GMFM), especialmente nas dimensões C (engatinhar e ajoelhar) e E (andar, correr e pular), sugerindo avanços funcionais importantes relacionados à capacidade de realizar transições posturais, engatinhar, ajoelhar, levantar-se, dar passos e manter o equilíbrio durante a marcha. Adicionalmente, foram observadas diferenças na estabilidade postural mensurada por acelerometria entre o grupo controle e o grupo intervenção após o período de intervenção intensiva, indicando efeitos positivos do tratamento sobre o controle postural das crianças avaliadas. Conclusão: Esta tese conclui que: (1) a veste terapêutica, como componente isolado, parece alterar o deslocamento do tronco durante o seu uso; (2) o protocolo completo de TNMIs é viável. E fornecem evidências preliminares de eficácia para as terapias intensivas com uso de vestes, suportando a continuidade da investigação desta intervenção em ensaios clínicos randomizados de maior escala.
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